segunda-feira, 19 de junho de 2017

TRIBUTO À POLÍCIA MILITAR - PPM 952 (5º DE 15 EPISÓDIOS)




PELOTÃO DE POLÍCIA MILITAR 952

MOBILIZAÇÃO: 
De 09.05.1964 a 21.06.1966
Cumpriu a missão em 774 dias, 44 a mais do que o determinado (dois anos).

TRANSPORTE MARÍTIMO UTILIZADO:
Na viagem para São Tomé: NTT “VERA CRUZ”.
 No regresso a Lisboa, via Luanda: NTT “NIASSA”.

TOTAL DE EFECTIVOS:
37 militares.

COMPOSIÇÃO (NOMES E PATENTES)

OFICIAIS (1)
ALFERES E COMANDANTE (1)
Eduardo Jorge Magalhães Soares Brandão Montez Nery

SARGENTOS (3)
SEGUNDO SARGENTO (1)
Aníbal Amálio Raminhas

FURRIÉIS (2)
Carlos Horácio Almeida Pessoa
João Viriato Santos Rolin

PRAÇAS (33)
PRIMEIROS CABOS (7)
Adérito Oliveira Diniz, 1244/63
Amílcar Silva Duque Feliciano, 1224/63
Carlos Alberto Antunes Ferreira, 648/63
Domingos Casaca Montes, 1245/63
José Francisco Costa Martins Dias, 1237/63
Mário Jesus Armelão, 1223/63
Rui Manuel Nora Raleira, 1246/63

SOLDADOS (26)
Alberto Sampaio Costa, 1222/63
António Oliveira Dias, 1221/63
António Rodrigues Almeida, 1225/63
António Silva Branco, 1220/63
Aurélio Machado Curto, 1246/63
Baltazar Pereira Costa Campos, 1163/63
Carlos Alberto Mendes Vieira, 1240/63
David Morais Carvalho, 1259/63
Fernando Carvalho Duarte, 1254/63
Frederico Fernandes Barrocal, 1243/63
João Manuel Cachão Procópio, 1226/63
João Manuel Rodrigues Gonçalves, 1034/62
Joaquim Gonçalves Carvalho Basílio, 1260/63
Jorge Pinheiro Cego, 1234/63
José António Antunes Freitas, 1261/63
José Luís Milheiro, 1257/63
José Manuel Santos Silva, 1251/63
Manuel Almeida Calado, 1227/63
Manuel Alves Almeida, 1239/63
Manuel Alves Lourenço, 1252/63
Manuel Cardoso Simões, 1255/63
Maurício Marques Tomé, 1238/63
Rui Ferreira Gomes, 1249/63
Vítor Manuel Bela Silvério, 1262/63
Vítor Manuel Figueiredo Lopes, 1241/63
Vítor Manuel Sousa Boloca, 1232/63

ALGUMAS NOTAS:
1.      O PPM 952 adoptou o cognome “Os Linces”.
2.      Razão porque a sua mascote, um cão da raça Serra da Estrela, foi-lhe atribuído esse nome.
3.      O PPM 952, durante a sua missão, que cumpriu integralmente, foi, em termos militares, sociais e desportivos, uma referência em São Tomé e Príncipe.
4. Elementos do PPM 952, graças aos TAM-Transportes Aéreos Militares, gozaram as suas férias na então Metrópole, junto dos seus mais queridos. 
5.      Os veteranos do PPM 952, como principais motivadores, organizam os convívios anuais, juntando, também elementos das CPM 589 e 1446, e dos PPM 891 e 1083.
6.      Por duas vezes o PPM 952 organizou o encontro anual nas antigas instalações do Regimento de Lanceiros 2, na Calçada da Ajuda, mais propriamente em 25 de Junho de 2006 e 5 e Setembro de 2009, como se pode confirmar nos painéis expostos no Mural da Memória do RL2, no quartel da Amadora.
7. O regresso a casa do PPM 952 foi no Navio Transporte de Tropas “Niassa”, juntamente com o Pelotão de Artilharia Anti-Aérea 951, que também terminou o seu compromisso na plenitude, tendo à sua responsabilidade a segurança do Aeroporto da então Província Ultramarina de São Tomé e Príncipe.
8. Tive a felicidade de fazer a viagem com estes maravilhosos camaradas de armas de Cavalaria e Artilharia, com quem, ainda hoje, passados 52 anos, continuamos a cultivar amizade, apreço e respeito!
9. Neste retorno ainda tivemos que ir a Angola, mas verificaram-se algumas peripécias dignas de registo, como, em Luanda, terem transferido, de qualquer maneira, todos os bens do pessoal da proa para a popa, sem avisarem quem quer que fosse.
Foi o caos!
Depois carregaram melaço, com o seu odor fortemente adocicado e enjoativo, no fundo dos porões, onde o pessoal permanecia em condições sub-humanas.
Sem a mínima ventilação e com cheiros nauseabundos (suor, restos de comida, de excrementos, o calor, húmido e bafiento, com a entrada do dormitório (?!) cheia de gordura e por aí fora…), quem conseguisse descansar tinha direito a prémio!
Os soldados não tinham direito a tomar banho com água doce; só com água salgada e com um produto disponibilizado em barricas para fazer espuma no corpo.
As refeições (?!) eram consumidas por grupos de 10 praças que se equipavam de alguidares para transportar a comida (sopa, conduto, fruta, pão, copos, pratos e talheres) e que se distribuíam ao longo do barco (convés), com os inconvenientes naturais, pois quem deitava os restos de comida ao mar na proa, com o vento, voltavam ao navio e atingiam os que estavam a comer que reagiam com palavrões e ameaças impublicáveis.
Por vezes, quando alguém “gritava pelo gregório” o resultado era o mesmo…
As mascotes, os macacos, que vinham para a então Metrópole, também contribuíam para este estado de coisas, quando lançavam os seus dejectos em todas as direcções.
Todos os dias tivemos de suportar este martírio, apesar de estarmos a caminho de casa…
A poucos dias da chegada distribuíram comida que não estava a cem por cento e houve desarranjo intestinal generalizado.
Nem as 6/8 retretes provisórias colocadas à frente do barco deram vazão a tanto, contínuo e volumoso “despacho”.
Todo o convés era uma repugnante latrina!
Só visto!
Por fim, para culminar tão rocambolesca viagem, chegámos a Lisboa ao lusco-fusco e, por essa razão, não foi possível acostar o barco.
Tivemos de passar toda a noite debaixo da actual Ponte 25 de Abril, a olhar para o cais onde centenas de familiares aguardavam cansados e angustiados pelos seus entes queridos, acenando-lhes, gritando, manifestando-se, ocasionando situação muito caricata, pois os que estavam a chegar a Lisboa e ainda retidos no “Niassa”, eufóricos e desesperados, queriam lançar-se à agua para sair daquele que foi um navio preparado para 322 passageiros (mais 132 tripulantes) e transportava tropas para cima de 1000 homens, em cada viagem!
Os seus 5 porões tinham capacidade para 13.250 m3 de carga, portanto…
10. O saudoso e brioso soldado PM Manuel Alves de Almeida, que está na última fotografia, e eu, fomos vizinhos e companheiros desde tenra idade e criados no mesmo ambiente (Bairro Alto/Jardim do Príncipe Real, em Lisboa). No primeiro dia que cheguei a São Tomé ele estava de guarda ao aquartelamento da Polícia Militar e, ao reconhecê-lo perguntei: “Então Manuel o que está aí a fazer?”. Rápido e objectivo, como sempre, afirmou: “Estou a tomar conta disto…”. Disse-lhe que ia deixar a minha bagagem no Comando, que ficava 3/4 quilómetros de distância e que vinha logo para baixo para conversarmos. E, pronto, a partir daí eu e a PM estivemos sempre juntos!
11. Mário de Jesus Armelão assegura, desde sempre, a confecção e a oferta do bolo alusivo a cada convívio.  

FOTOGRAFIAS


























































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